Porto EnCena – 2ª Edição finaliza semana de atividades com sucesso de público e crítica

No domingo, dia 29 de março, o Festival de Teatro Porto EnCena – 2ª Edição finalizou a semana de atividades com honras. Apresentações teatrais infantis e para o público adulto, oficinas, mesa de debate e teatro imersivo 3D, estiveram na programação. Mais de mil pessoas passaram pelo Centro de Cultura de Porto Seguro, garantindo uma grande ocupação do local, que segundo o criador do evento, Robson Vieira, era um dos objetivos.

“Foi gratificante ver tantas pessoas ocupando a plateia e sendo parte desse Festival. Além de ver artistas e estudantes e pessoas se emocionando com os espetáculos. Nosso papel, como artistas, é levar a magia da arte e promover um olhar crítico na sociedade. Quando vestimos os personagens, criamos mundos paralelos e mostramos óticas – por vezes, diferentes – do cotidiano”, salienta.

SÁBADO

O sábado foi dia de imaginação e reflexões, com os espetáculos ‘A Caixinha de Papelão’ e ‘Atendendo a Pedidos’. O imaginário e o lúdico coloriram o palco e a plateia, com o calor das brincadeiras de infância e a amizade em um enredo que transformou um retângulo de papel, no mais curioso – e talvez hesitante – presente. Já na segunda e noturna apresentação, foi a vez de ver o início e o fim, as maravilhas criadas e descriadas pelo e para o homem e refletir sobre quando e como nos perdemos, muitas vezes dessa essência de vida.

Para o professor Wellington Salgado Rodrigues, o espetáculo uma provocação de um tema tão contemporâneo, onde você traz a parábola do cotidiano, do homem, do ser humano, que vem de crenças. “Foi espetacular e ao meu ver trouxe a reflexão bíblica: de Gênesis ao Apocalipse. Porque ele começa com a criação, trazendo a construção deste homem, deste ser humano e termina com este próprio destruindo a sua própria criação, que foi a imagem que trouxe pra gente no final do espetáculo a questão de Brumadinho. É impactante, provocante, reflexivo, é uma crítica à sociedade e a uma crise existencial. Tenho como fundamento que com a crise se cresce, a partir do momento que você reflete, não é só ficar na reflexão, é perceber que eu vi, refleti, isso me transforma e agora eu tenho que agir. É um teatro que te transforma”, declarou.

DOMINGO

A tarde do domingo também teve teatro infantil. O Catador de Histórias, de A Patela Banda, também lembrou os presentes de sonhar, de sorrir e cantar. Ao lado do Vovô, o catador de histórias, Joane Bittencourt, Robson Vieira e a banda ao vivo, do lúdico e de seres marinhos, a história traz bonecos e diversas formas de mostrar o teatro.

A estudante Gabriela Reinel, de 10 anos, veio acompanhada dos pais para assistir pela segunda vez a encenação. Ela garantiu seu mascote, o polvo, personagem que ela mais gostou. Sua mãe, Christiane Almeida, estava emocionada. “Estava conversando com a Ione, a mãe da Joane, que falava sobre o orgulho de ver um espetáculo tão bacana. A gente é tão carente de cultura e hoje tendo acesso a isso com mais facilidade, com espetáculos de alta qualidade, feito por gente da gente, é gratificante. Sou ‘amarradinha’ na peça. As músicas se encaixam muito bem, o som, o espetáculo, a parte da música é sensacional”, salientou.

A mãe de Oto, de 2 anos e meio, Keila Araújo explicou que o filho gosta muito de música e o trouxe para ver pela segunda vez os personagens e a musicalidade do espetáculo. “A peça tem uma interação muito bacana com a plateia. Ontem assistimos também ‘A Caixinha de Papelão’ e ele ama vir ao teatro. Acho muito importante inserí-lo nesse ambiente e por isso sempre acompanho a programação teatral tanto do Centro de Cultura, quanto do Sesc”, afirmou.

O último espetáculo dessa edição foi promovido pelos estudantes da UFSB, com a peça ‘Sonhário o Desejo dos Outros’. Na direção de cena, a professora Aline Nunes, explicou a concepção da obra. “O principal empenho era pensar a estrutura do sonho: dessa forma desestruturada e desconectada. São quadros que aparecem e reaparecem, personagens que vão e vêm.

Todas essas cenas são clássicos do teatro ocidental, abarcando Harold Pinter, Nelson Rodrigues, Tennessee Williams, e transformando sequências ‘loucas’ em mais ‘loucas’ ainda”, revelou a professora adiantando, que para o próximo semestre serão incorporados outros autores.

Na plateia, Maria de Lourdes Rocha Dias, mãe de uma das protagonistas do Sonhário, também veio para aplaudir a filha e se emocionou com a atuação e viu a filha contente pela sua estreia vez em um palco ‘de verdade’. Silvia Lira, integrante da Patela e Cia, que participou da primeira oficina de Robson Vieira, o criador do Porto EnCena, também protagonizou a obra e estava muito feliz, depois do nervosismo pré-apresentação. “Quando a gente apresentou a primeira versão do Sonhario, era um ensaio aberto dentro da UFSB, com um público seleto. Aqui pudemos ter ideia da dimensão e diferença do que é atuar em um teatro, com acústica e iluminação, que dá mais corpo e compõe melhor a cena. Sinto também como um reconhecimento ao nosso trabalho enquanto artista. A sinergia dos alunos – formados por diversos cursos – foi muito gostosa. E o Festival Porta Encena dá essa oportunidade de ocupar esse espaço”, concluiu.

A terceira edição do Porto EnCena já está sendo idealizada e enquanto isso, acompanhe as críticas dos espetáculos e o Instagram da @apatela_cia e do @portoencena.

Legendas:

Foto 1: Caixinha de papelão
Legenda: Os espetáculos para as crianças tiveram o lúdico e a imaginação como mote principal
Crédito: Festival Porto EnCena

Foto 2: Atendendo a pedidos
Legenda: Reflexões sobre o cotidiano e críticas à sociedade também estiveram no palco
Crédito: Festival Porto EnCena

Foto 2: Sonhário
Legenda: A obra representada pelos estudantes da UFSB trouxe clássicos do teatro ocidental
Crédito: Festival Porto EnCena

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *